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20 de jul de 2010

O Rap na linha de fogo

A matéria “A crise do Rap, que também perde espaço em shows”, publicada no jornal O Estado de São Paulo (17/7), merece atenção por tocar em questões importantes e por afirmar que, ao perder espaço para o funk carioca, o Rap é obrigado a repensar suas posições. A reportagem, que causou diferentes reações no cenário e tem depoimentos de Kamau, Afro-X, Nego Chic, Preto Will e Rodrigo Brandão, mostra algumas transformações no comportamento da juventude da periferia e os desafios que o Hip-Hop precisa enfrentar.

Segundo o jornal, o show dos Racionais MCs, na Virada Cultural de 2007, onde ocorreu confronto entre a polícia e o público, deixou as coisas mais difíceis para o gênero. Sendo assim, o Rap não ocupa mais palcos exclusivos em eventos públicos desde então. Além dessa afirmação, destacamos os principais argumentos do texto do
Estadão (confira abaixo) e pedimos a opinião de artistas, jornalistas e produtores do cenário Hip-Hop.

Alguns dos argumentos da reportagem já são conhecidos e debatidos há anos na cena Hip-Hop. A mutação do público e do próprio Rap não pode ser considerada um fato isolado. Em matéria publicada no portal CHH,
DJ Cortecertu traça um panorama dessas mudanças: "No Brasil, durante muito tempo, a música eletrônica e o Rap feito para dançar sempre foram tidos como sons descartáveis, superficiais e símbolos musicados da dita ´modinha´(...) Faces de um outro período, onde o discurso político era inserido em pleno contexto de desigualdade social (...) A situação econômica e social não mudou muito, mas a globalização e o culto ao consumo, o avanço tecnológico, o fácil acesso aos financiamentos, a corrupção política e o fracasso da esquerda criaram uma juventude que, cansada das ideias politizadas, abraça outros valores”.

Violência, vandalismo e estagnação do discurso do Rap, entre outros motivos, são citados pelo jornal. Apesar da crise econômica na cena, o Rap mudou e é muito mais abrangente. O canto falado aborda questões políticas, fala de festa, retrata o cotidiano periférico, prega a religiosidade, versa sobre conteúdo, forma, recria e exige uma nova estética. O público que frequenta os shows e eventos de Rap, em sua maioria, não é violento e não está ligado ao vandalismo.

Para o produtor
Zeca MCA, "falar que o público do rap é violento é um preconceito e uma ignorância enorme. Se é para generalizar, por que não falamos das grandes brigas que já sairam em shows de rock, micaretas, festas de peão e qualquer outro evento? Frequento festas de Rap desde os anos 90 e, quando leio esse tipo de matéria, fico bem confuso. Do que eles estão falando? Cadê essas festas que eu não estou vendo por aí? Só para dar um exemplo: nos últimos dois dias, eu fui em dois eventos de Rap - A Batalha do Conhecimento, num Sesc Pinheiros lotado, e no show dos MCs Kamau e Marechal, em Jacareí. Dois eventos com público jovem, sedento por informação e cultura e com o principal objetivo... Se divertir".

Zeca também fala dos eventos que promove,
"com a rádio Boomshot e com o programa Manos e Minas, onde sou produtor, já organizei alguns eventos com grande público e nunca tive problema. Em nossas gravações e festas só recebemos jovens que estão ali para se divertir e celebrar a cultura Hip-Hop. Se os eventos de Rap são violentos como estão falando, acho que amo e trabalho com algum outro tipo de cultura que eu ainda não sei qual é".

Os argumentos do O Estado de S. Paulo

1. Se o funk está em alta é porque alguma coisa acontece com aquilo que foi por quase três décadas a música oficial dos bairros da periferia, o Rap.

"Os artistas do funk nacional, em sua maioria, tratam de assuntos fúteis, o que, “infelizmente”, agrada as pessoas mais humildes e carentes de informação. As duplas, os grupos e os chamados “MCs” do funk são de uma época na qual a internet e a tecnologia de aparelhos eletrônicos em massa estão a mil. Acredito que eles souberam usufruir muito bem desse tipo de recurso, creio que o Rap nacional perdeu espaço simplesmente pelo fato de não ter havido uma renovação."


FONTE:BOCADA FORTE

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